O que a lei de seguros faz mudar na jornadas digitais de seguradoras?

Tabela de Conteúdos

O uso de certificado digital ganha relevância prática com a lei de seguros, porque a Lei nº 15.040/2024 organiza a formação, a execução e o encerramento dos contratos em uma lógica mais clara e demonstrável. Para as seguradoras, isso exige revisar cada etapa da jornada digital, da proposta à indenização, para que manifestações, documentos e decisões sejam compreensíveis e comprováveis. A tecnologia passa a sustentar segurança jurídica, rastreabilidade e eficiência operacional.

Resumo

  • A nova lei estabelece maior clareza para proposta, aceite, apólice, notificações, sinistro e indenização.
  • As jornadas digitais precisam registrar autoria, integridade, data, conteúdo apresentado e comprovação de recebimento.
  • Jurídico, compliance, atendimento e tecnologia devem compartilhar regras, eventos e responsabilidades.
  • Indicadores operacionais ajudam a medir prazo, prova de comunicação, retrabalho e qualidade da decisão.

Fatos rápidos

  • Segundo a Susep, o Sistema de Consulta de Seguros permite consultar apólices e certificados vinculados ao CPF, com dados provenientes do Sistema de Registro de Operações.
  • De acordo com a ANPD, até agentes de pequeno porte devem manter registros de tratamento e adotar medidas administrativas e técnicas de segurança.
  • Segundo a Susep, o setor supervisionado arrecadou R$ 36,17 bilhões em janeiro de 2026, enquanto indenizações, benefícios, resgates e sorteios somaram R$ 21,71 bilhões.

Efeitos da lei de seguros na jornada digital

A revisão deve começar pelo mapeamento do ciclo completo do contrato, não apenas pela tela de assinatura. Cada transição precisa ter uma regra de negócio, um responsável, um prazo e uma evidência associada. O fluxo de um contrato digital deve mostrar qual versão foi apresentada, quais informações estavam disponíveis, como o cliente se identificou e em que momento sua manifestação foi registrada. Esse encadeamento permite reconstruir a experiência sem depender de relatos isolados ou arquivos espalhados.

EtapaControle digital recomendadoKPI principal
PropostaVersão, data, coberturas, exclusões e dados fornecidosTempo de preenchimento
AceiteIdentidade, consentimento e registro da manifestaçãoPrazo de aceite
ApóliceEmissão vinculada à proposta aceitaTempo de emissão
NotificaçãoConteúdo, canal, envio e recebimento comprovadoTaxa de comprovação
CobrançaVencimento, aviso, mora e regularizaçãoRecuperação no prazo
SinistroProtocolo, documentos, análise e pendências justificadasSLA de análise
IndenizaçãoDecisão, cálculo, autorização e pagamentoPrazo de liquidação

Proposta, aceite e emissão da apólice

A proposta precisa apresentar informações compreensíveis e manter uma versão durável do conteúdo oferecido. A seguradora dispõe, em regra, de 25 dias para recusar a proposta e, após a aceitação, deve entregar o documento probatório em até 30 dias. No aceite, deve combinar usabilidade com autenticação coerente com o risco. Uma plataforma de assinatura eletrônica pode registrar identificadores, data, horário e documento final.

Notificações, cobrança e resolução contratual

Segundo a Câmara dos Deputados, notificações relacionadas à mora e à resolução do contrato devem usar meio idôneo que permita comprovar o recebimento pelo segurado. Não basta registrar que uma mensagem saiu do sistema. A evidência deve relacionar destinatário, conteúdo, canal, data, tentativa, entrega e eventual interação, preservando o histórico mesmo quando o cliente troca de telefone ou endereço eletrônico.

Na cobrança, a automação pode programar lembretes e escalonamentos, mas as regras precisam respeitar os prazos e evitar mensagens contraditórias. Um workflow de processos bem definido separa aviso preventivo, constituição em mora, regularização e resolução, com modelos aprovados pelo jurídico. O indicador central não é apenas a quantidade de mensagens enviadas, e sim a proporção de notificações cujo recebimento pode ser demonstrado sem reconstrução manual.

Sinistro, análise e indenização

O aviso de sinistro deve gerar protocolo imediato, e a seguradora tem 30 dias para se manifestar sobre a cobertura, ressalvadas suspensões legalmente justificadas. Reconhecida a cobertura, a indenização deve ser paga em até 30 dias. A gestão de documentos digitais evita pedidos repetidos e permite que atendimento, regulador e jurídico visualizem a mesma linha do tempo, com pendências e decisões registradas.

Autenticação, integridade e proteção de dados

A força da evidência depende da capacidade de demonstrar quem praticou o ato, qual documento estava disponível e se o arquivo permaneceu íntegro. De acordo com o serviço VALIDAR do ITI, a ferramenta verifica integridade e autoria de documentos com assinaturas eletrônicas avançadas ou qualificadas. No ambiente da seguradora, essa lógica deve ser combinada com autenticação digital documental, controles de acesso e retenção adequada.

Trilhas de auditoria que explicam o processo

Uma trilha de auditoria útil não é um depósito de logs incompreensíveis. Ela organiza eventos em uma sequência legível, com origem, horário, usuário, ação, resultado e vínculo ao documento. O carimbo do tempo pode reforçar a referência temporal, enquanto funções de hash ajudam a detectar alterações. A equipe deve testar periodicamente se consegue reconstruir uma contratação ou um sinistro sem recorrer a planilhas paralelas.

Governança de dados e privacidade

De acordo com a orientação da ANPD, organizações devem mapear e registrar operações de tratamento, suas bases legais e finalidades, além de adotar medidas técnicas e administrativas de proteção. Em seguros, esse inventário deve cobrir dados da proposta, perfil de risco, documentos pessoais, informações de saúde quando aplicáveis, evidências de comunicação e dados do sinistro. A política de retenção precisa diferenciar obrigação legal, defesa de direitos e descarte seguro.

KPIs para acompanhar a adequação operacional

Os indicadores precisam mostrar velocidade e qualidade ao mesmo tempo. Reduzir o tempo de emissão não representa avanço quando aumenta a taxa de correções. Da mesma forma, um SLA de sinistro aparentemente baixo pode esconder pedidos documentais repetidos. A gestão deve combinar métricas de prazo, conformidade e experiência, acompanhadas por produto, canal e tipo de ocorrência. A estrutura de compliance digital ajuda a transformar desvios recorrentes em planos de ação verificáveis.

IndicadorComo medirSinal de atenção
Prazo de aceiteDa proposta enviada à manifestação válidaAbandono concentrado em uma etapa
Tempo de emissãoDo aceite à disponibilização da apóliceCorreções após a emissão
Notificações comprovadasRecebimentos demonstráveis sobre envios realizadosDependência de consulta manual
SLA de sinistrosTempo por etapa e por responsávelPendências sem justificativa
RetrabalhoCasos reabertos ou documentos pedidos novamenteCrescimento por canal ou produto
ContestaçõesQuestionamentos sobre informação, prazo ou decisãoMotivos repetidos sem correção

A leitura conjunta evita decisões baseadas em uma única média. Se o prazo de aceite cair, mas as contestações aumentarem, pode haver falha de clareza. Se a taxa de recebimento comprovado variar entre canais, a empresa deve rever fornecedores, modelos e cadastros. A transformação digital empresarial produz resultado quando conecta automação, governança e melhoria contínua, não quando apenas substitui papel por telas.

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Uma jornada digital mais previsível e demonstrável

A adequação não deve ser tratada como uma alteração pontual de termos e condições. Ela exige redesenhar eventos, responsabilidades, integrações e provas ao longo do contrato. O melhor ponto de partida é selecionar uma jornada de alto volume, mapear falhas atuais e testar se cada decisão pode ser explicada com dados acessíveis. Depois, o modelo pode ser replicado para outros produtos, preservando diferenças de risco, canal e público.

Ao combinar linguagem clara, autenticação proporcional, integridade documental, privacidade e métricas, a seguradora transforma a lei de seguros em uma referência prática para reduzir custos e melhorar a experiência. Para estruturar documentos assinados com certificados e evidências verificáveis, o funcionamento da ZapSign como Autoridade Certificadora mostra como essa camada pode ser incorporada às jornadas digitais.

Perguntas frequentes (FAQ)

As respostas abaixo esclarecem dúvidas recorrentes sobre a aplicação operacional da nova legislação em canais digitais.

Quando a Lei nº 15.040/2024 entrou em vigor?

A Lei nº 15.040/2024 entrou em vigor em 11 de dezembro de 2025, um ano após sua publicação. Desde então, os contratos de seguro passaram a seguir o novo marco, observadas as regras aplicáveis a cada situação. A adequação deve considerar tanto documentos e sistemas quanto procedimentos internos, treinamento e governança.

A seguradora precisa abandonar os canais digitais?

Não. A legislação não impede proposta, contratação, comunicação ou gestão de sinistros por meios digitais. O ponto central é que o canal seja adequado ao ato e produza evidências confiáveis. A seguradora deve avaliar identidade, clareza da informação, integridade do documento, recebimento da comunicação, proteção de dados e possibilidade de auditoria.

Todo aceite precisa de certificado digital?

Não necessariamente. O método de assinatura ou autenticação deve ser escolhido conforme o risco, a natureza do documento, os requisitos legais e a capacidade de demonstrar autoria e integridade. Certificados digitais podem oferecer evidências robustas em fluxos específicos, mas outras modalidades eletrônicas também podem ser adequadas quando corretamente implementadas e documentadas.

Quais áreas devem participar da revisão da jornada?

Jurídico, compliance, produto, tecnologia, segurança da informação, atendimento, cobrança e sinistros devem participar. Cada área enxerga riscos e dados diferentes. A revisão conjunta reduz regras incompatíveis, mensagens divergentes e controles duplicados. Também facilita a definição de responsáveis, prazos, critérios de escalonamento e indicadores compartilhados para acompanhar a operação.

Como demonstrar conformidade em uma auditoria?

A empresa deve conseguir apresentar políticas, versões documentais, registros de aceite, evidências de envio e recebimento, trilhas de auditoria, controles de acesso, inventário de dados e indicadores. A demonstração é mais consistente quando esses elementos se conectam à mesma linha do tempo. A lei de seguros favorece processos claros, mas a qualidade da prova depende da execução cotidiana.

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